Alojamneto

 O ambiente em que mantemos as aves influencia directamente os resultados reprodutivos. Temperatura, luz, humidade, circulação de ar e outros factores podem contribuir em muito para o sucesso da criação.

Temperatura

Felizmente que no nosso país dispomos de temperaturas amenas sem grandes amplitudes térmicas quer diurnas quer anuais. Como tal, a grande maioria das aves pode suportar facilmente a temperatura ambiente sem aquecimento extra, pois na maioria dos casos suportam temperaturas entre os 5-35ºC.

Desde que a temperatura não desça abaixo dos 5ºC não há problemas de maior. Muitas pessoas aquecem as salas de criação ou viveiros durante todo o ano a 15ºC ou mais no Inverno. Isto funciona, mas acaba por ter efeitos negativos sobre as aves pois estas nunca serão habituadas ao frio acabando por se tornar, ao longo das várias gerações mais frágeis. Temos o exemplo dos Goulds criados no norte de Europa onde o clima exige que sejam aquecidos geralmente a 21-23ºC durante todo o ano, o que faz com que, quando são depois deixados em condições ambientais normais de temperatura, muitos acabem por morrer.

É uma opinião pessoal, mas não considero que valha a pena construir instalações com temperatura controlada, aquecimento e por ai. Se até aves pequenas e sensíveis como os peito de fogo e peito celeste podem suportar o clima de inverno no nosso pais prefiro perder algumas aves enquanto não estão devidamente adaptadas do que “esconder” as suas dificuldades artificialmente. A selecção natural prova que os fracos e mal adaptados morrem deixando o seu lugar livre aos mais aptos, assim julgo que se protegermos demais as nossas aves acabaremos por estar a reproduzir e, portanto, perpetuar indivíduos de resistência e aptidão duvidosas. Não quero com isto dizer que não devemos tomar atenção, mas sim que devemos trabalhar no sentido de produzir aves cada vez mais adaptadas às nossas características reais e não as condições artificiais de temperatura e humidade. Como cuidados devemos ter a escolha de melhor altura para aclimatar estas aves (primavera-verão), não sujeitar as aves a mudanças bruscas nas condições ambientais e, acima de tudo, manter as aves bem alimentadas e num ambiente saudável e bem ventilado.

Caso se disponha de viveiros exteriores devemos ter sempre uma zona de abrigo onde a temperatura será mais amena ao longo do dia. Um termómetro de máxima e mínima no viveiro ou sala de criação pode fornecer uma ideia de como varia a temperatura durante o dia. Este abrigo também protege as aves da chuva e do vento. Aves sensíveis e mal adaptadas não suportam o frio pelo que devemos observar as condições em que aves novas estavam quando as compramos. Nunca devemos tirar uma ave directamente de casa para um viveiro exterior, em especial no Inverno, mas sim adaptá-la a periodos cada vez maiores no exterior durante alguns dias. Quase todas as espécies podem passar por isto acabando por se adaptar e, se tudo correr bem, produzir filhos que serão cada vez mais aptos e resistentes.

É para isto que serve a quarentena, não é só para procurar eventuais doenças em aves recém adquiridas, mas também para que estas se adaptem às condições ambientais do novo meio.

Humidade

A humidade atmosférica é geralmente de 50-70%. A principal preocupação com a humidade surge com a incubação dos ovos para que estes não sequem. Mais fácil do que humidificar ou desumidificar uma sala é deixar que as aves tomem um banho diário pois isso é o suficiente para assegurar a humidade necessária aos ovos. Poucos de nós têm a disponibilidade de fornecer banhos diários, em especial quando dispomos de muitas gaiolas individuais por isso temos de tentar que estes sejam regulares, no mínimo duas vezes por semana. Em relação aos banhos será sempre mais fácil deixar que as aves tomem banho se usarmos gaiola amplas, bem planeadas.

Ambientes muito húmidos, especialmente quando aquecidos são propícios à formação de fungos e proliferação de bactérias. O mais grave nestes agentes é que não se vêem e como tal só damos contas do problema pela baixa na reprodução ou aumento da mortalidade, em particular das crias devido aos fungos como os Aspergillius, que produzem aflotoxinas prejudiciais. Os problemas respiratórios são frequentes em ambientes muito húmidos uma vez que a humidade no ar favorece a transmissão de organismos por via aérea e sujeita as vias respiratórias a agressões.

Os fringilídeos podem ser particularmente afectados por fungos e micoses pelo que devemos estar atentos à sua plumagem e, em caso de dúvida, recorrer a um exame microscópico das penas. Em geral um banho limpo e assíduo é suficiente.

A humidade é também um factor de desenvolvimento da cocciodiose dai que tanto no exterior como dentro de casa devamos ter especial cuidado com espécies que sejam facilmente afectadas por este parasita e tratá-las nas alturas mais húmidas do ano, nomeadamente Primavera e Outono quando a temperatura ainda é relativamente elevada.

Circulação de ar

É errado pensar que um casa fechada fornece melhores condições de ambiente às aves. A falta de renovação de ar faz aumentar a concentração de dióxido de carbono e outros gases prejudicando a respiração, o que em casos extremos pode mesmo originar lesões dos orgãos respiratórios.

Por esta mesma razão devemos ter sempre no fundo das gaiolas um material absorvente como a areia, “litter” ou mesmo jornal. Ideal é o uso de um sistema que não permita a acumulação de matéria orgânica e pó. Algumas pessoas como as gaiolas possuem geralmente grades no fundo, não se preocupam com isto, mas o acumular de fezes e a humidade dos banhos e bebedouro acaba por criar condições para a formação de amoníaco e outras substâncias prejudiciais. Mantendo esta zona seca torna-se mais fácil a limpeza.

Devemos assegurar a circulação de ar, mas tendo cuidado para não haver correntes de ar, essas sim prejudiciais. Para tal podemos em casas fechadas, se não for possível a ventilação natural, instalar um extractor de ar que facilmente podemos adquirir em casas de electrodomésticos ou hipermercados. Um outro aparelho que parece ser benéfico para a saúde das aves é um ionizador cujo investimento poderá ser compensador para quem tenha algumas aves. Este pequeno aparelho também pode ajudar a controlar o nível de humidade uma vez que o ar expirado pelas aves aumenta a humidade do ar, extraindo esse ar (normalmente aquecido, menos denso) contribuimos para a renovação da massa de ar com ar exterior fresco. A instalação do extractor deve seguir uma regra simples, o extractor é colocado num local elevado da sala, no lado oposto à(s) entrada(s) de ar.

É essencial evitar quaisquer fumos, em especial o tabaco que é muito prejudicial às aves podendo mesmo matá-las.

Iluminação

Muito se pode dizer sobre iluminação e programas de luz. Quanto a mim o ideal é manter os pássaros ao ar livre sujeitos à luz natural e às variações desta ao longo do ano. Vários factores como a reprodução e a muda (cruciais no ciclo das aves) são directa ou indirectamente influenciados pelas horas de luz e intensidade desta. Ao sujeitarmos as aves a perídos de luz estáveis durante todo o ano corremos o risco de destabilizar todo o processo hormonal e surgem problemas como mudas fora de época e outros que podem ser graves.

Um programa de iluminação permite escalonar a quantidade de luz que as aves recebem em várias alturas do ano. Algumas pessoas dizem que mais luz faz com que as aves criem mais cedo (o que é verdade) e como tal prolongam demasiado o número de horas de luz. Na altura da reprodução as aves deverão ter 14 a 16 horas de luz. Para tal pode-se começar a partir de Janeiro com aumentos progressivos de meia hora por semana atingindo as 15-16 horas em Março/Abril. Quando termina a época de reprodução, por volta de Agosto fazemos o inverso para dar às aves descanso durante a muda até termos cerca de 10-12 horas de luz no início de Outubro.

Pessoalmente acho que 15-16 horas de luz por dia é o limite, isto é o mesmo que dizer que existe luz na sala desde as seis da manhã às 9-10 da noite ou das 7 às 22-23. Este horário pode ser adaptado conforme a duração natural do dia e a rotina do criador, se trata as aves ao fim do dia será melhor acordar mais tarde levando a luz até às 22, mas se faz o oposto então é preferível começar às 6 (ou antes) e não passar as 21 horas.

A intensidade da luz para aves exóticas está muito pouco estudada e todos os valores que podemos encontrar referem-se a espécies industriais como galinhas, ou aves de caça. De qualquer modo poder-se-à apontar para os 0,5W/m2 de iluminação efectiva.

Adianto aqui um pormenor que muitas vezes é referido mas quase sempre descuidado. A luz solar é indispensável para todas as aves. É pelo contacto com a luz solar que a pele sintetiza algumas vitaminas e outras substâncias necessárias ao bom estado da plumagem e do organismo em geral. Muitas vezes as aves estão dentro de casa com iluminação artificial de cor branca o que pode causar problemas a longo prazo e obriga ao uso de mais produtos sumplementares para assegurar um bom estado geral. Entenda-se que a luz filtrada por um vidro não tem a radiação completa pois alguns comprimentos de onda são eliminados pelo vidro. Existem no mercado luzes de espectro completo concebidas para fornecer as radiações que as aves não recebem sem luz solar.

Caso disponhamos de uma sala própria para as nossas aves não estarão sujeitas à duração natural do dia, mas é fácil instalar um programador de luz bastando para isso um temporizador de tomada que podemos ajustar conforme desejado. Neste caso aconselho a estudar bem a sala e as suas dimensões de modo a que a luz seja uniforme e, claro, a certificarmo-nos diariamente que o programa de luz está certo. Uma falha de corrente pode destabilizar o temporizador de tal modo que este esteja ligado quando deveria ser noite…

Mais adequado ainda será um aparelho específico que além da duração do período de luz permita simular o anoitecer e amanhecer, apagando (mais importante) e ligando progressivamente as lâmpadas.

© Copyright, Ricardo Pereira

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